Década de 1970

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“Qualquer profissão é arriscada e não vejo motivos para desistir do meu ideal” – Lea Campos, Jornal do Brasil, 14 de junho de 1967. Apesar da trajetória como modelo e jornalista percorrida na década de 1960, Lea Campos frequentou cursos de arbitragem para o boxe e futebol. Algo impensável para a maioria das mulheres da época. João Havelange, então presidente da CBD (atual CBF), alegou que a estrutura óssea feminina era inferior à do homem e por essa razão não outorgaria o diploma de árbitro à Lea. Por iniciativa própria, Lea se submeteu a mais uma bateria de exames, agora com médicos prestigiados do Brasil, que certificaram que a estrutura óssea feminina era igual a masculina. Por fim, Havelange apelou para o artigo 54 do Decreto-lei 3.199, de 1941, que proibia às brasileiras a participação em esportes “inapropriados à sua natureza”. Mas… Lea argumentou ao cartola que o decreto não previa o impedimento legal para mulheres árbitras do futebol. Não convencido, Havelange ainda expôs a menstruação como atributo feminino passível de prejudicar a mulher em campo e encerrou a reunião dizendo que, enquanto estivesse à frente da entidade, nenhuma mulher apitaria ou jogaria futebol. A mineira recebeu em mãos uma carta firmada pelo chefe da nação, ordenando à CBD que outorgasse o diploma de árbitro a Asalea de Campos Micheli. Da Escola de Árbitros da Federação Mineira de Futebol de Belo Horizonte, Minas Gerais, 19 de janeiro de 1972.

Legenda: Exposição – Lea Campos, a primeira árbitra (Museu do Futebol)
Crédito: Acervo Pessoal Lea Campos (Museu do Futebol)

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